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Quinta-feira, 01 de fevereiro de 2018

A Forma da Água é bem mais que uma história de amor impossível

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© Divulgação

Imagine os Estados Unidos da década de 1960 – Guerra Fria, cenário marcado por disputas entre os governos americano e soviético, e uma sociedade capitalista de consumo que passava a ganhar cada vez mais notoriedade e poder.

Em meio ao caos aparente está a pacata Elisa Esposito (Sally Hawkings), uma mulher de meia-idade, solitária e muda que, em seu pequeno apartamento localizado no andar superior de um tradicional cinema de rua, mantém uma rotina tranquila.

Todos os dias ela acorda, se masturba na banheira de casa, coloca ovos para ferver, toma o café da manhã e sai para trabalhar. Seu cotidiano é dividido entre um emprego como faxineira de um laboratório secreto do governo, e o amor por filmes e musicais dos anos 1940.

A vida sempre igual de Elisa sofre uma reviravolta quando ela conhece, em seu trabalho, uma curiosa “criatura” fantástica (interpretada por Doug Jones). Meio homem, meio peixe (meio “monstro”, meio “deus”), o anfíbio é mantido em cativeiro e não se sabe ao certo de onde ele surgiu: foi encontrado em um rio na região da América do Sul, e capturado pelos americanos para ser usado como cobaia nos mais diferentes experimentos científicos.

O fato dos dois seres solitários – tanto Elisa quanto o homem-peixe – não terem o poder da fala, entretanto, não impede que eles se comuniquem e se entendam perfeitamente. Na verdade, são as diferenças (ou semelhanças) as maiores causadoras de uma aproximação que, posteriormente, evolui para uma paixão das mais arrebatadoras – e lindas.

Esse é o pano de fundo que conduz “A Forma da Água – The Shape of Water – 2017″, longa do premiado diretor mexicano Guillermo Del Toro. Aclamado pela crítica e um dos favoritos na corrida pelo Oscar, o filme lidera a disputa deste ano com 13 indicações. Entre elas estão as de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Atriz, para Hawkings, que dá um verdadeiro show de interpretação e expressividade, sem sequer falar uma única palavra.

Por ora o filme já levou dois Globos de Ouro, os de Melhor Trilha Sonora e Melhor Diretor, destacando-se como um dos maiores sucessos da carreira de Del Toro desde o lançamento do consagrado “O Labirinto do Fauno”, em 2006.

É a primeira vez, inclusive, que um cineasta mexicano é cotado a levar a estatueta em tantas categorias diferentes – nas últimas duas décadas, além dele, Alejandro González Iñárritu(“Birdman (2015)”, “O Regresso (2015)) e Alfonso Cuarón (“Gravidade (2014)), também foram indicados e ganharam os prêmios de melhor direção. O reino da princesa muda

Junto à Elisa de Sally Hawkings, o restante dos personagens principais da trama não deixa a desejar. Começando por Zelda Fuller (Octavia Spencer), a amiga e parceira de Elisa na equipe de limpeza do laboratório que, para compensar a ausência de voz da protagonista, fala sem parar.

Com frases irônicas e um tom que flerta com a comédia, a personagem ganha notoriedade por abordar, com sutileza, temas como o machismo e o racismo, que marcaram a época e estão presentes até hoje. Octavia, ganhadora de um Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por “Histórias Cruzadas (2012)”, concorre neste ano na mesma categoria.

Além de Zelda, Elisa é igualmente próxima de Giles (Richard Jenkins, um dos favoritos ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante). Ele, a voz que narra o romance da “princesa muda”, é seu vizinho de apartamento e melhor amigo. Jenkins interpreta um pintor frustrado e homossexual que, dado o contexto do período, sofre com a angústia de não conseguir se assumir como é de verdade.

Giles não compartilha com a melhor amiga somente o mesmo endereço, mas também o sentimento constante de solidão e, principalmente, o amor pelos musicais. A cumplicidade da dupla é revelada nas cenas conjuntas de cantoria, dança e até sapateado, em meio a uma trilha sonora minimalista e clássica que, mesmo não sendo das mais inovadoras, é capaz de prender o espectador até o fim. O monstro

Já o vilão é Richard Strickland, um oficial do governo que complica o romance de Elisa com o homem-peixe. É o ator Michael Shannon (“Animais Noturnos – 2016)”) quem dá vida ao personagem. Com postura caricata, ele é o responsável por grande parte das cenas de ação da trama e, também, por provocar a reflexão no espectador sobre quem seria o verdadeiro “monstro” da história.

Por falar em monstro, em algumas cenas é possível notar que o anfíbio, apesar de se parecer muito com um humano, não perde sua essência de ser primitivo – causando certa confusão e até alguns problemas mais sérios no decorrer da narrativa. Por outro lado, o amor de Elisa e da criatura ultrapassa as barreiras do real – já que relação entre os dois se mostra tão erótica e intensa quanto a de qualquer casal convencional.

“A Forma da Água” conta uma história que, de maneira geral, não é nenhuma novidade para o público – afinal, paixões aparentemente impossíveis já estiveram presentes em outros clássicos do cinema, como em “A Bela e a Fera“, da Disney – mas isso não é necessariamente um problema.

Predominantemente inspirada pelo filme “Monstro da Lagoa Negra (Jack Arnold, 1954)”, que também aborda o encontro entre um homem-peixe e uma humana, a obra de Del Toro é mais relevante pelo modo envolvente como é apresentada do que por seu roteiro propriamente dito.

Entretanto, pode não agradar espectadores que preferem histórias menos fantasiosas e mais focadas na realidade.

Esta pode ser a grande chance de Del Toro, que ainda não tem nenhum Oscar em direção para chamar de seu, de vencer o prêmio na categoria. Ele, que divide o roteiro de “A Forma da Água” com Vanessa Taylor (de “Game Of Thrones“), dessa vez se aventura e acerta o tom ao apostar todas as fichas em uma produção menos alternativa e mais hollywoodiana.

Com maquiagem impecável para representar o “monstro”, fotografia lindíssima que remete ao cinema clássico, trilha envolvente e trama lúdica, não é à toa que “A Forma da Água”, que estreia no Brasil nesta quinta-feira (01/02), tem grandes chances de dominar a cerimônia do Oscar.

MSN