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Sábado, 23 de dezembro de 2017

Até que ponto estimular a fantasia de Papai Noel é saudável?

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Thinkstock/Getty Images

Não é preciso fazer muita coisa para uma criança saber que o Papai Noel existe. Ele é uma figura natural em nossa cultura na época de Natal e simplesmente está lá, em todos os lugares. Os pais precisam, quando muito, explicar que ele é um bom velhinho que observa o comportamento de todos ao longo do ano e traz presentes na noite de 24 de dezembro – isso se os desenhos animados ou os amiguinhos não contarem antes.

Mas até que ponto estimular a fantasia de Papai Noel é saudável para as crianças? Cabe aos adultos incentivar os filhos a manterem contato com o personagem ano após ano? Existe um momento para parar?

  A fantasia é necessária na infância

 

Na opinião de especialistas, acreditar em Papai Noel, assim como no Coelho da Páscoa e na Fada do Dente e em outros personagens, é importante para a formação das crianças.

“É por meio da fantasia que elas elaboram suas questões para compreender o mundo, entendem suas forças, potências e fraquezas”, afirma a psicóloga infantil e familiar Carol Braga. “O Papai Noel é um símbolo do que representa o Natal. Já os heróis e vilões, por exemplo, as ajudam a desenvolver os conceitos de bem e mal. Os contrapontos levam à construção e à compreensão da realidade.”

Isabela Cotian, psicóloga e coach de mães, concorda com Carol e complementa: “Vivemos uma época em que o materialismo se manifesta de forma muito rude, e o Papai Noel quebra essa ideia de presentes para compensar ausência, muito comum em tantas famílias. Ele é o velhinho bondoso que reconhece todas as crianças pelo seu bom comportamento, que as valoriza pelas suas boas características.”

  Pais e Papai Noel podem ser “parceiros” de Natal

 

Se os pais fizerem questão que os filhos saibam que são eles, os adultos, que pagam pelos presentes, não é necessário nem saudável “matar” a figura do Papai Noel. “Podem falar que eles compram e o Papai Noel é o intermediário da entrega, para manter o espírito do Natal”, orienta Isabela.

O mesmo vale para o caso de alguma criança flagrar o pai, tio ou primo colocando a roupa de Papai Noel na festa de Natal da família; é possível ressuscitar a crença na existência do bom velhinho imediatamente. A psicóloga e coach sugere uma estratégia: “Uma boa saída é dizer que ele não consegue estar em todos os lugares ao mesmo tempo, por isso pediu ajuda e aquela pessoa da família foi quem recebeu a missão neste ano.”

O motivo para manter o imaginário fantasioso das crianças mesmo nestas circunstâncias é justamente permitir que elas tenham o tempo necessário para se entender no mundo, como explicado lá no começo.

Carol vai adiante no assunto. “A criança não tem capacidade para lidar com a autenticidade crua dos fatos. Por isso que existe a infância: para ela desenvolver essa habilidade aos poucos, questionar o que é verdade e o que é fantasia. Com tempo para absorver a realidade que a cerca, com o auxílio de ferramentas como a fantasia. Se ela for levada a não acreditar em nada disso, será no mínimo uma criança mais fria. E lá na frente, quando for adulta, vai procurar compensar isso se descolando da realidade de alguma forma”, explica. Mas tudo isso sem forçar a criança a gostar do Papai Noel

 

Sabe aquela cena da criança chorando no colo do Papai Noel? Não seja a mãe ou o pai que faz isso com os pequenos. A fantasia é importante, mas a proximidade física não é obrigatória; os pais devem sempre respeitar quando não houver vontade de se aproximar ou sentar ao lado ou no colo do Papai Noel.

“Não querer estar perto não significa não gostar”, garante Carol. “É um receio natural da criança que não sabe distinguir o faz-de-conta da realidade, só isso. Enquanto há esse medo, os pais podem continuar estimulando a fantasia natalina, o espírito das festas, mas sem o Papai Noel.”

Isabela considera agressivo forçar a interação e pondera que os pequenos têm suas razões para não gostarem do Papai Noel logo de cara: “Ele nada mais é que um estranho, todo encasacado, barbudo, usando roupas de uma cor agressiva aos olhos. As crianças precisam de um tempo para trabalhar essas informações.”

  Qual é o momento da verdade?

 

Via de regra, as crianças elaboram sozinhas a compreensão de que o Papai Noel não existe. Não há uma idade específica para que isso ocorra, porque cada ser humano tem seu ritmo de amadurecimento, mas as psicólogas dizem que o comum é que seja entre os 7 anos de idade e a pré-adolescência, por volta dos 12 anos.

Quando a ficha cai, é natural que elas procurem os pais para elucidar a questão. Nesta hora, os adultos devem lidar com naturalidade. “Sempre se deve responder a verdade, sem fugir das perguntas”, afirma Carol.

E se os pequenos se sentirem traídos, achando que os pais mentiram esse tempo todo para eles? Fácil não é, mas há solução, como ensina a psicóloga: “Uma saída é dizer que o Papai Noel não existe como uma pessoa, uma figura, mas sim como um símbolo do Natal”. Isabela prolonga esse pensamento: “É uma oportunidade de reforçar que o Natal é uma celebração baseada em solidariedade, união, paz, diálogo e presença.”

Perceba que os pais não precisam tomar nenhuma atitude para que essa dinâmica se desenrole. Ela deve vir naturalmente e ser encarada numa boa. Enquanto isso, estimula-se a fantasia.

Porém, se na entrada da adolescência ainda houver uma fixação na fantasia, é bom parar de incentivar este comportamento e procurar o auxílio de uma psicóloga.  “O normal é que as crianças distinguam realidade de ficção espontaneamente. Se houver confusão entre o mundo do faz-de-conta e o mundo real, é preciso entender o que está acontecendo e ajudar a haver essa separação, porque daí já não está mais saudável”, finaliza Carol.

MSN