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Domingo, 27 de maio de 2018

Pole, Ricciardo tem tudo para "terminar o trabalho" neste domingo: vencer a corrida

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Com duração estimada de 15 voltas, pneus hipermacios podem fazer a diferença na estratégia deste GP do Mônaco, que teve todos os treinos dominados pelo australiano da RBR
O GloboEsporte.com bem que tentou obter dos três primeiros colocados no grid uma referência sobre a autonomia dos pneus hipermacios, os que serão usados por eles, na realidade os dez primeiros, na largada do GP de Mônaco, neste domingo. A resposta à questão é fundamental para a compreensão do que poderá acontecer ao longo das 78 voltas da corrida.

Mas tanto Daniel Ricciardo, da RBR, o pole position, quanto Sebastian Vettel, Ferrari, segundo colocado, e Lewis Hamilton, Mercedes, terceiro, evitaram responder diretamente, afinal os dois adversários do lado na entrevista coletiva, depois da sessão de classificação, apreciariam muito ouvir quantas voltas os pneus mais macios já produzidos pela Pirelli para a F1 vão permitir que eles deem nos 3.337 metros do Circuito de Monte Carlo.

 

Para entender essa história: a Pirelli distribuiu na sexta etapa do campeonato também os pneus ultramacios e os supermacios. Se os hipermacios dos dez primeiros no grid não lhes permitirem completar mais de 15 voltas, por exemplo, algo possível, diante da estimativa de elevação da temperatura e do verificado nos treinos livres de quinta-feira, eles terão de ir para os boxes, substituí-los possivelmente pelos supermacios para ir até a bandeirada.

Mas nessas 15 voltas é pouco provável que os dez primeiros consigam abrir uma diferença de 24 segundos, em média, para fazer a parada e sair na frente dos que largaram com pneus ultramacios ou macios, esperada escolha do 11º colocado para trás no grid. É livre. Imagine só o que irá acontecer. Parte dos líderes seria ultrapassada, criando uma ordem inesperada na classificação.

  Largar com supermacios, possível grande vantagem

 

O 11º no grid, Nico Hulkenberg, da Renault, o 12º, Stoffel Vandoorne, McLaren, por exemplo, poderiam avançar significativamente na classificação, admitindo-se que vão largar com supermacios, possivelmente, ou ultramacios.

É por isso que Fernando Alonso, da McLaren, sétimo no grid, também falou da importância da autonomia dos hipermacios.

- É a chave desta corrida.

Apesar de não responder diretamente, Ricciardo falou sobre o tema:

- Na quinta-feira (primeiros dois treinos livres), alguns pilotos sofreram muito com o graining nos pneus dianteiros. Nós não realizamos uma simulação longa de corrida, mas fizemos e foi tudo ok. Eu ainda acredito que será possível disputar a prova com um único pit stop.

Por não atingir a temperatura ideal de aderência com os hipermacios, entre 85 e 105 graus, a borracha da banda de rodagem se solta sob forma de pequenos rolinhos, que permanecem na banda, reduzindo significativamente a aderência dos pneus. É isso o que aconteceu no primeiro dia de atividades em Mônaco, na estreia dos hipermacios na F1, quase um pneu de classificação, concebido para dar o máximo de aderência, mas com pouca autonomia.

  Faca e o queijo na mão

 

Deu para ver que Ricciardo está em dúvida sobre o que irá acontecer. Ele e sua equipe não têm maiores referências em condição de corrida. A única certeza do australiano é que o modelo RB14-TAG Heuer (Renault) tem sido até agora o mais rápido no Circuito de Monte Carlo, o que faz dele, em condições normais, o principal candidato a vencer o prestigioso GP de Mônaco.

- O que tenho de fazer agora é terminar o trabalho amanhã.

Em 2016, Ricciardo esteve perto do êxito, depois de também largar na pole position, mas a equipe errou no pit stop, os pneus incrivelmente não estavam disponíveis quando parou, e voltou à pista em segundo, atrás de Hamilton, o vencedor.

 

Vettel tem o segundo carro mais veloz, a Ferrari SF71H. Comentou sobre ter de fazer logo o pit stop e, diante da dificuldade de ultrapassar em Mônaco, transformar a perspectiva de um grande resultado dos dez primeiros em algo fora dos planos.

- Como Daniel disse, nos treinos livres esses pneus (hipermacios) não permitiram uma série longa de voltas. Tenho certeza de que se você os usar em um circuito normal, será divertido pilotar por somente meia ou uma volta. Depois disso será bem difícil.

Como se vê, os pilotos vão largar neste domingo, às 10h10, horário de Brasília, sem saber ao certo o que esperar. Hamilton e o companheiro de Mercedes, Valtteri Bottas, quinto no grid, tentaram no Q2 ficar entre os dez primeiros para passar ao Q3 com os pneus ultramacios, pois os pilotos largam com os pneus que registraram os melhores tempos no Q2 e não no Q3.

Mas faltando 6 minutos para o fim do Q2, tanto Hamilton quando Bottas estavam fora dos dez primeiros, obrigando a Mercedes a chamá-los e liberar com hipermacios, bem mais rápidos que os ultramacios, mas como mencionado de durabilidade bastante restrita. O relatório da Pirelli registra que o russo Sergey Sirotkin, da Williams, completou 30 voltas, na quinta-feira, com os hipermacios, mas o ritmo do modelo FW41-Mercedes da Williams está bem aquém dos mais rápidos.

  PU versão de classificação

 

Depois dos três primeiros no grid, a etapa de Mônaco tem dois pilotos que tentam provar a seus times ser a melhor opção para ganhar mais um ano de contrato para 2019, Kimi Raikkonen, Ferrari, quarto, e Bottas, quinto, com o surpreendente Esteban Ocon, da Force India, em sexto. No Circuito de Monte Carlo ficou bastante evidente a chamada versão de classificação da unidade motriz (PU) Mercedes.

Até o Q2, tanto Hamilton quanto Ocon, por exemplo, não estavam dentre os mais rápidos. Pois no Q3 os cerca de 40 cavalos a mais de potência da unidade alemã permitiram a Hamilton ficar a apenas 193 milésimos de Vettel. E Ocon se aproveitou muito bem, da mesma forma, dessa potência extra para ser “somente” 620 milésimos mais lento que Bottas.

Em condição de corrida, a Mercedes não pode usar o qualy mode e, portanto, faz sentido imaginarmos ser um pouco menos competitiva. Mas, como temos assistido, a lógica da F1 é não ter lógica, em especial nessa era em que os pilotos devem ter os pneus exatamente na faixa de temperatura com que respondem com aderência máxima. Fora dela, por vezes um bom carro se mostra pouco eficiente e um menos dotado luta mais lá na frente.

Quantas vezes você viu um piloto estabelecer a pole position e antes de falar com o entrevistador, saudar o público, conversar no celular? Foi o que Ricciardo fez neste sábado logo em seguida ao deixar o cockpit do carro. O homem-forte da RBR, Helmut Marko, recebeu um telefonema do dono da RB, o austríaco Dietrich Mateschitz, que por sua vez pediu para falar com o australiano.

- Era o chefe, confirmou, depois, Ricciardo. Ao lhe perguntarem sobre o que falou, sentiu-se constrangido, demorou para falar algo. Mas disse:

- Vamos dizer que foi um bom telefonema.

Muito provavelmente não era apenas para cumprimentá-lo pela pole position, essencialmente por aproveitar sem erros, até agora, ter o carro mais eficiente no evento. No paddock os comentários são de que havia algo de monta bem maior por trás da iniciativa do dono da RB: a abertura para discutir termos do novo contrato em bases bem distintas das sugeridas até agora. Max, de um extremo a outro

 

E existe razão para isso: Max Verstappen. O jovem talentoso holandês, como fez na corrida de Xangai, desperdiçou em Mônaco a chance de se posicionar para ganhar a corrida. Como Ricciardo afirmou, a velocidade e o equilíbrio do carro do time austríaco em Mônaco são tais que não é necessário pilotar além do limite para estar na frente da Ferrari e da Mercedes.

Max bateu de novo, no fim do treino da manhã, neste sábado, e sequer disputou a classificação. Vai largar em último com o modelo, como mencionado, mais eficiente na pista. Tudo na F1 é muito fugaz, em especial numa temporada competitiva como a atual. Não é permitido aos pilotos jogar fora, literalmente, chances de ouro de conquistas grandes resultados como tem feito Max.

Não é de hoje que o discurso de Christian Horner, diretor da RBR, é de elogios não apenas à velocidade como à regularidade de Ricciardo. Pois é ele que mais traz resultados, pontos, à escuderia. Depois de cinco provas, este ano, o australiano aproveitou a oportunidade em Xangai e com brilhantismo venceu. Soma 47 pontos diante de 33 de Max.

Enquanto o holandês é uma promessa, mas que não vinga em termos de ser o homem que como na era Vettel na RBR traz os melhores resultados, Ricciardo é uma realidade. E não de hoje.

Se proceder o que se comentou no paddock a respeito do telefonema de Mateschitz, o caminho para Ricciardo renovar com a RBR ficará mais fácil, no mínimo estimulado com valores que nada tem a ver com os cerca de 8 milhões de euros (R$ 36 milhões) que ganha hoje, diante de 12 milhões de euros (R$ 54 milhões) pagos a Max.

Um carrega o piano e outro fica com a bolada maior. Não é difícil entender as declarações frequentes de Ricciardo de que “provavelmente” deve deixar a RBR.

Marko e Horner sabem que Max é um piloto potencialmente campeão do mundo, mas ainda não está pronto para um desafio dessa extensão, enquanto Ricciardo, sem os extremos de performance do holandês, é capaz de manter uma média altíssima de rendimento, com o que dispõe, o que mais vale na F1.

Por Livio Oriccchio, Monte Carlo, Mônaco