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Sexta-feira, 19 de abril de 2013

Ervas Medicinais usados pelos povos Indígenas

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Ervas Medicinais

Veja o Poder das Plantas na Saúde

Medicina indígena corresponde ao comportamento orientado para obtenção e preservação da saúde através das práticas culturais dos Povos ameríndios. Segundo Estrella, (1985) [1] a medicina indígena apresenta os seguintes elementos estruturais:

a) aplicação de um conjunto de regras, modelos rituais, expressões ou ações que emergem historicamente da vida prática e da ideologia de um grupo social, e que conforma uma série de enunciados acerca da saúde e da doença.

b) prática esta que propicia o desenvolvimento de um “saber médico” onde se pode identificar: grupos de objetos ou enunciados, jogos de conceitos, séries de escolhas teóricas. Elemento que não constituem uma ciência, como uma estrutura idealmente definida e nem são tampouco conhecimentos amontoados procedentes de experiências, tradições ou descobrimentos unidos apenas pela identidade do sujeito que os gerou. São elementos a partir dos quais é possível construir proposições coerentes (ou não), desenvolver descrições mais ou menos exatas, elaborar teorias.

c) os enunciados desse saber médico se constituem sobre elementos empíricos, mágicos, míticos religiosos e racionais sendo especial a influência da ideológica exercida pela religião católica.

d) os enunciados, conceitos e práticas deste saber médico estão em boa parte, em oposição à ideologia dominante da formação social.

A natureza do conhecimento indígena

Generalizações sobre as práticas médicas ameríndias ou de qualquer outra região do planeta, apesar de necessárias na perspectiva de estudos teóricos, são perigosas porque, existe certa especificidade em cada sistema de crenças mítico-religioso e/ou prática cultural destinada à recuperação da saúde que podem ficar ocultas no exercício da comparação.

Por outro lado a comparação, como se fossem atalhos indicadores das linhas de pesquisa, nos permite ampliar o conhecimento, organizando este sob a forma de teorias de base empírica e científica. O que antes se apresenta como um conhecimento aparentemente desordenado e não lógico, embora cada vez mais reconhecido, especialmente quanto ao uso de plantas, uso de técnicas de êxtase ou mesmo sobre esse conjunto de práticas, ditas primitivas, que nos permitem curar doenças, conhecer e controlar estados de consciência, controlar emoções ou modificar sentimentos como prática de saúde mental.

Segundo o antropológo Lévi-Straus, 1976, o "pensamento selvagem" diferencia-se do conhecimento científico por ser analógico, basear-se na intuição sensível em lugar da percepção e da imaginação. Um aproximando-se da bricolagem e poesia (inspiração artística) e o outro apropriando-se lógica de contradições. [2]

Considerando-se a equivalência dos sistemas etnomédicos, o trabalho é compreender as especificidades que adquirem em função da adaptação à áreas ecológicas, grupos linguísticos e níveis de tecnologia resultantes do processo histórico de acúmulo de conhecimento. Assim procedendo as diversas conquistas de cada povo ou etnia podem ser integrados a grupos de práticas semelhantes, tornado-se mais compreensíveis as razões de sua permanência ou extinção. Lyons e Petrucelli (1997) [3] associam o valor das técnicas ou medicamentos à sua permanência na(s) cultura(s). [editar]Arte Médica dos índios brasileiros

No Brasil do século XVI os indígenas acreditavam que as doenças eram causadas por vontade de algum ser sobrenatural, ação dos astros, agentes climáticos, força de uma praga ou castigo. Elas eram denominadas de acordo com o órgão ou a parte do corpo afetada. O tratamento era baseado nas propriedades medicinais da imensa flora local. Para ulcerações, a bouba, ferimentos e dermatoses as plantas indicadas eram a copaíba (Copaifera officinalis), acapeba ou pariparoba (Piper rohrii), a maçaranduba (Mimusops elata, Lucuma procera), a cabreúva (Myrocarpus fastigiatus) e a caroba (Jacaranda caroba, Jacaranda brasiliana); contra febres a jurubeba (Solanum panicyulatum, Solanum fastigiatum), quineiras brasileiras (Strychnos pseudo-quina, Cantarea speciosa), o maracujá (Passiflora de várias espécies); como diuréticos e sialagogos o cajú (Anacardium occidentale), o [[ananás] (Ananas sativus), ojaborandi (Pilocarpus pinnatus); como purgativo e para desinterias o andá-açu (Johannesia princeps) a ipecacuanha ou poaia (Psychotica emetica, Cephaelis ipecacuanha), a batata-de-purga (Ipomoea altissima), a umbaúba(Ceropia peltata) e o guaraná (Paullinia cupana); para mordeduras de cobras e outros animais venenosos a caapiá ou contra-erva (Dorstenia multiformis), o pau-cobra (Potalia amara) e a erva-de-cobra (Mikania opifera); paraafecções respiratórias e outras doenças o jataí (Hymenaea courbaril) e o petume ou tabaco (Nicotiana tabacum). O conhecimento dos indígenas sobre as propriedades medicinais da flora foi mantido graças aos registros demissionários, barbeiros-cirurgiões e barbeiros e a tradição oral.Os indígenas também lançavam mão de outros recursos como medicamentos: sangue humano ou de animais (reconstituinte), saliva (cicratizante), urina (excitante e vomitiva), cabeça ou cauda de ofídios e gordura de onça e outros animais. Bicos, garras, chifres, ossos e cabelos eram calcinados e pulverizados, assim como sapos. Os remédios eram geralmente reduzidos a pó entre duas pedras e depois dissolvidos em água ou sucos. emplastros feitos com o memo vegetal utilizado para uso interno eram aplicadas sobre a parte afetada. [4]

No livro de 1844 de von Martius, Karl Fridrich Philipp Natureza, Doenças, Medicina e Remédios dos Índios Brasileiros [5] esse autor, com toda a carga de preconceitos do século XIX observa que o médico, chamado pajé na língua tupi, apesar de não ser doutor, nem mesmo um mestre ou seja possuir os títulos de um professor ou médico europeu, apesar de não fazer parte de grêmio ou corporação que lhes dê direito de curar, possui mais poder e influência na tribo que os seus congêneres europeus, segundo ele, graças à ignorância desta.

No seu entender, a medicina indígena é comparável à magia e feitiçaria e ao xamanismo dos nômades asiáticos. Compara ainda, o pajé, ao sacerdote, profeta e adivinho, o zelador das cousas sagradas, conselheiro e legislador, sempre um indivíduo de ascendência e influência na tribo, que se distinguem pelo espírito de observação, astúcia e laboriosidade, observando que esse mister, às vezes, também está nas mãos de mulheres velhas.

Em vários momentos de sua obra, faz referência a um culto ou saber desaparecido de modo semelhante aos xamãs siberianos. Declara-se pessimista quanto a possibilidade destes (a raça ameríndia) encontrarem uma resolução de suas demandas de saúde por recursos próprios, ou face a sua condição social, pelo alcance da ciência médica européia. Reconhecendo, porém, seu vigor, constituição robusta e longevidade, sobretudo antes de seu contato com a civilização.

Não reconhece nenhuma doença da época como exclusiva dos indígenas e atribui origem nas Índias Ocidentais à: cholera morbo, febre amarela e na Costa Oriental Africana à vena medinensis (dracontiase). Na Europa atribui a origem da varíola e sífilis, doenças por serem exógenas não possuíam tratamentos específicos na medicina indígena.

O uso terapêutico da Ayahuasca

O uso da Ayahuasca, hosaca, Yagé ; Nixi honi xuma, Capi, ou seja dos preparados da Banisteriopsis caapi e Psychotria viridis com e sem outras plantas de efeito medicinal é sem dúvida uma das maiores contribuições da medicina inca e indígena da Amazônia. Sua utilização é milenar e sua sobrevivência e expansão nas Américas no mínimo atesta a importância da necessidade de pesquisas sobre seu efeito terapêutico.

De acordo com Takiwasi Centre um centro de tratamento do abuso de drogas que usa ayahuasca e outras medicinas tradicionais como parte do programa terapêutico, as medicinas tradicionais oferecem respostas satisfatórias (comparáveis em termos de eficiência e eficácia) à problemática de saúde mental que poderia se imaginar características das culturas que a utilizam originalmente. Contudo a experiência médica tem demonstrado o oposto, essa prática tem atingindo dimensões transculturais em áreas onde a medicina ocidental é bastante deficiente como o das toxicomanias.

Propriedades semelhantes a dos agentes serotoninérgicos e alguns estudos realizados nos EUA apontam a utilização da hoasca para tratamento da depressão, inclusive de pacientes terminais (associando-se principalmente nesse último caso à orientação religiosa espiritual). Recentemente a Universidade Johns Hopkins tem selecionado voluntários para estudos científicos da pratica espiritual e meditação com utilização da Psilocibina uma substanciaenteógena presente em cogumelos utilizados pela medicina nahualt. As pesquisas da etnopsiquiatria e terapia com alucinógenos hoje denominados enteógenos iniciada com as pesquisas com LSD, proibidas face utilização descontrolada dessas substancias na expansão da contracultura hippie, tem sido retomadas e utilizadas em pesquisas que incluem patologias como autismo e cefaléias além dos dois transtornos psiquiátricos acima referidos (depressão e drogadição).

Na Amazônia Ocidental estudos apontam de 40 a 72 grupos que fazem uso da ayahuasca (Ribeiro, 1986 [14]; Luna, apud Labate, 2002 [15]). Os referidos grupos tribais que tem o yagé ou ayahuasca como elemento estruturante demitos e ritos concentram-se na região do Solimões (Alto Amazonas) e predominam grupos de idiomas das famílias:

  • Quéchua (Quechumaran) a exemplo dos Ingano (Ingas); Kofan (Cofán); Kamsá (Camsás ou Quillacigas) Kallawaya Encostas andinas do Vale Sibundoy – (Colômbia) ou da macro-etnia neo-incaica;
  • Aruák e Arawá (Baniuas; Machigenguas; Piros; Culinas, Ashaninka ou Campas, Tarianas e outros);
  • Tukano (Airo-pai; Barasana; Cubeo; Desana; Tuiúcas ; Makuna ; Siona)
  • Pano (Marubos, Caxinauás, Yaminawas, Shipibo-conibo)
  • e de línguas menores e/ou não classificadas como Ashuar (Jivaro ou Shwaras e Secoya) Katukina; Maku; Uitoto.

    No Brasil a utilização da Hoasca nos grupos religiosos urbanos e tradições da amazonas está em plena expansão. Encontra-se ainda o uso isolado por curandeiros - vegetalistas tal como ainda é utilizado na Amazônia peruana; a integração dessa prática com religiões africanas e tradições locais (MacRae; Nunes Pereira) até o processo de urbanização em grupos religiosos formalmente identificados tal como: o Santo Daime criado por Raimundo Irineu Serra(Mestre Irineu) em 1930; Centro Espírita e Culto de Oração Casa de Jesus Fonte de Luz (Barquinha) em 1945 por Daniel Pereira de Matos (Mestre Daniel) e o Centro Espírita União do Vegetal criado em 1961 por José Gabriel da Costa respectivamente os dois primeiros em Rio Branco no Acre e o segundo em Porto Velho, Rondônia.

    MacKena [16] e Ricciardi [17] ressaltam as diferenças de contexto no efeito do chá, no uso individual no uso terapêutico proposto por curandeiros - vegetalista e no uso ritual de caráter religioso e de auto – ajuda que vem se desenvolvendo nos grupos religiosos acima citados.

    Strassman,[18], e outros autores [19][20] ressaltam que a ayahuasca é uma das várias infusões ou decocções psicoativas preparada a partir de Banisteriopsis spp. As bebidas resultantes são farmacologicamente complexas e utilizadas com propósitos xamânicos, etnomédicos e religiosos. Pesquisadores occidentais já registraram uma variedade de 200-300 plantas diferentes utilizadas no seu preparo. A associação destas plantas deve ser considerada no contexto de cada realidade etnomédica onde também se inclui as prescrições comportamentais reafirmando a questão levantada por Strassman de que a utilização da hoasca deve ser considerada como uma infusão medicinal xamânica, num plano equivalente à medicina ayurvedica ou tibetana.

    Outras contribuições

    A vacina do sapo de origem em grupos Pano, Aruaque e Aruá (ver verbete específico) insere-se na utilização numa ampla farmacopéia ainda não completamente conhecida das populações indígenas. Entre as substancias utilizadas encontram-se substancias psicoativas (utilizadas sem ritual religioso) incluindo Coca (Erythroxylum coca) ou Ipadu ; Marapuama (Ptychopetalum olacoides) sendo a mais conhecida o Guaraná (Paullinia cupana) e preparados comCastanha-do-pará (Bertholletia excelsa); calmantes como a Casca preciosa (Aniba canelilla); medicamentos de efeito antiinflamatórios e antibióticos como Paratudo (o Ginseng-brasileiro - Pffafia glomerata), Andiroba (Carapa guianensis), Unha-de-gato (Uncaria tomentosa); Carapanaúba (Aspidosperma nitidum); Pau darco (Tabebuia avellanedae) entre outras.

    O mais conhecido, mas também ainda não utilizado plenamente para desenvolvimento da região, são as frutas como Açaí (Euterpe oleracea), Cupuaçu (Theobroma grandiflorum), Bacuri (Platonia insignis), Bacaba (Oenocarpus bacaba), Pupunha (Bactris gasipaes). Observe-se porém que há uma série de produtos da floresta de valor nutricional tipo batatas, carás e/ou condimentos, que poderiam ser incluídos na alimentação das populações rurais (e urbanas caso comercialmente explorados) e não são sequer conhecidos.

    Por outro lado, como ressalta Eliade, 2002 [21], entre as grandes contribuições do Xamanismo estão os mundos fabulosos, descobertos e descritos pelos antigos xamãs, tão necessários ao combate dos demônios e desordens na esfera do sagrado (leia-se linguagem ou inconsciente numa interpretação materialista). Utilizando símbolos eles são capazes de conduzir pessoas a transformar os sentimentos ruins em bons dirimir inimizades que ameaçam o bom convívio social. O xamã é alguém que pode ver esse mundo invisível e sobrenatural e se dispõe a curar, ouvir, compreender e até mesmo a ensinar a ser xamã, curandeiro, mestre ou pajé. Tarefa na qual nenhuma das plantas da Amazônia aqui referidas é tão útil e amplamente utilizada como a ayahuasca e o complexo mundo simbólico da floresta imaginada, povoada de espíritos e divindades vivas nas sobrevivências das tribos e culturas da América.

     

    Exemplos de Plantas Medicinais

    camomila, camellia sinensis (chá verde), boldo-do-chile, alecrim, alho, arnica, arruda, cânfora, capim-limão, carqueja, cominho, erva-cidreira, funcho, gengibre, ginseng, hortelã, jaborandi, jojoga, losna, louro, mava, salsa, sálvia, stevia e urucum.

    Kolinã disse que as ervas que são mais procuradas pelos corumbaenses são:

    Tripa de galinha: Para reumatismo, ajuda na recuperação da cartilagem;

    Sucupira: Evita a osteoporose;

    Ipê Roxo:É adstringente; o cozimento das cascas combate estomatites, nevralgias, sífilis, cancro, câncer, úlceras, reumatismo, diabetes (contêm insulina), pedras vesicais, inchações dos pés, elimina toxinas, aumenta os glóbulos vermelhos e tem ação sobre as células que crescem desordenadamente, evita a formação de tumores, doenças de pele, impigens; famoso depurativo do sangue;

    Flor da Amazônia: Bom para quem sofre de enxaqueca, ele limpa o organismo também.