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Quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Arquivamento das investigações sobre 11 mortes em chacinas de Campinas em 2014 e revolta parentes de vítimas

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Série de mortes teve somente um caso esclarecido, com a condenação de cinco ex-PMs da cidade. Ministério Público enviou inquérito da Polícia Civil à Justiça para arquivamento.

O arquivamento das investigações sobre 11 das 12 mortes em série registradas em Campinas (SP), em janeiro de 2014, revolta parentes das vítimas. Os crimes ocorreram no Nova América, Recanto do Sol II, Vista Alegre e Vida Nova, no intervalo de três horas, e um caso foi esclarecido.

De acordo com o promotor criminal Ricardo Silvares, os inquéritos foram enviados pela Polícia Civil ao Ministério Público no fim do ano passado, e remetidos ao Poder Judiciário. Antes disso, cinco ex-policiais militares da cidade foram condenados em 1ª instância pela participação na morte do adolescente Joab Gama das Neves - considerado o primeiro caso da série. 

"A gente se sente indignado, fica revoltado. A gente confia, bota fé na Justiça, e no fim foi arquivado", falou o pai de uma das vítimas, que até então desconhecia sobre o término das investigações. A saudade do filho é amenizada pela companhia do neto, que completou 5 anos em junho.

O tom de desalento é repetido pela irmã de outra vítima, que demonstra medo de retaliações. "Infelizmente não vai mudar nada o que eu disser. A gente sabia que não daria em nada."

Silvares, contudo, destaca esforços durante as investigações em Campinas e na capital paulista.

  "Elas [apurações] chegaram ao fim e não foi possível chegar ao resultado [esclarecimento]", diz o promotor.

 

Segundo o MP, um sexto suspeito de participação na morte de Neves ainda será julgado. Sem provas

 

Em agosto de 2015, o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de São Paulo, por meio da Secretaria da Segurança Pública do estado (SSP), enviou nota ao G1 para informar que dois dos réus estavam ligados a outros dois assassinatos. No entanto, segundo o MP, não havia provas.

  "É difícil mesmo, não tem testemunha. Se tem, não fala. Na parte pericial tentou-se de tudo, armas foram apreendidas. Não chegou a nenhum resultado", afirmou Silvares.

O promotor destacou também que não entrou com recurso após a condenação dos cinco ex-PMs. À época, ele afirmou que faria uma avaliação sobre o resultado. "Apesar da pena, houve o reconhecimento de que eles cometeram o crime. Isso foi o mais importante", ponderou.

O defensor dos réus, José Tavares Pais Filho, também optou por não recorrer da decisão por entender que "conseguiu o que queria". Os ex-PMs foram condenados a seis de prisão pela morte do Neves e cumprem a pena em regime aberto. Antes disso, chegaram a ser presos duas vezes.

  O que diz a Polícia Civil?

 

A Secretaria da Segurança Pública do estado (SSP) informou, em nota, que as ocorrências foram inicialmente investigadas pelo Setor de Homicídios do município e, posteriormente, encaminhadas ao Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Além disso, segundo o texto, outros dois inquéritos, que apuravam tentativas de homicídios, identificaram que dois dos PMs culpados pela morte de Joab Gama das Neves foram também os autores desses crimes, e foram indiciados.

"Durante as investigações, por meio de exames periciais, constatou-se que em três das ocorrências, os tiros foram feitos por uma mesma arma. O caso foi relatado sem autoria definida, pois não foi possível o confronto balístico, porque os projéteis retirados das vítimas estavam deformados", diz trecho da nota enviada pela assessoria da SSP. O caso

 

As vítimas tinham idades entre 17 e 30 anos e, segundo a Polícia Civil, e sete delas tinham antecedentes criminais. À época, a Polícia Técnico-Científica recolheu 53 fragmentos de balas.

Cinco ex-PMs foram presos em 29 de janeiro e permaneceram no Presídio Militar Romão Gomes, na capital paulista, até junho de 2014. Depois disso, voltaram à corporação para cumprir funções administrativas, mas, foram expulsos pelo 47º Batalhão em dezembro.

Em fevereiro de 2015, eles voltaram a ser presos em Campinas, após decisão do TJ-SP. Na sequência, foram transferidos para um centro de detenção na capital paulista.

Já a condenação dos réus, em júri popular, ocorreu em novembro do ano passado.

  Motivação

 

O DHPP divulgou em agosto de 2015 que a morte de Neves ocorreu como "vingança" pela morte do PM Aride Luis dos Santos, de 44 anos, em um posto de combustíveis também na área do distrito de Ouro Verde. A vítima estava de folga e desarmada quando foi abordada por dois suspeitos.

Os suspeitos de participação neste homicídio, porém, não estão entre as vítimas das chacinas. Eles foram identificados e apreendidos durante ação da Delegacia de Investigações Gerais de Campinas.