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Terça-feira, 10 de julho de 2018

Alckmin luta para sobreviver na corrida presidencial até o início da campanha

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O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) parece ter tudo a seu favor para uma campanha à presidência da República, menos o essencial: votos. Sem empolgar nas pesquisas e com uma taxa de rejeição rondando os 70%, o pré-candidato de um dos maiores partidos do Brasil, favorito entre investidores e governador por quatro vezes do maior colégio eleitoral do país, Alckmin deixou nas últimas semanas a sobriedade que marcou sua carreira política para desafiar publicamente um concorrente direto e dar declarações acima de seu tom característico. Mas a desconfiança não passa e o nome do ex-prefeito João Doria, pré-candidato do PSDB ao Governo de São Paulo, segue circulando como alternativa presidencial para os tucanos.

Alckmin se reuniu em Brasília na semana passada com representantes de partidos considerados de centro que ainda não embarcaram em sua candidatura, o chamado Centrão. O jantar com DEM, PSC, PRB, PP e Solidariedade não foi conclusivo. Se, por um lado, o tucano se livrou de um "não" definitivo, também não viu lideranças como o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), e o ex-ministro Marcos Pereira (PRB) saírem do encontro declarando apoio incondicional a sua candidatura. Mais cedo, em evento promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), Alckmin voltou a dizer o que tem repetido nas últimas semanas: a campanha eleitoral não começou de verdade e boa parte do eleitorado ainda não sabe quem são os candidatos à presidência.

A campanha começa oficialmente no dia 16 de agosto, mas o ex-governador prefere mirar o período de propaganda eleitoral gratuita. “A campanha começa depois de 31 de agosto, quando se inicia a propaganda de rádio e televisão”, respondeu ao ser questionado por jornalistas após o evento na CNI. O diretor do Instituto Datafolha, Mauro Paulino, concorda. “Tudo é um processo, ainda tem a campanha na televisão. Alckmin ainda pode crescer e atingir o desempenho de 2006, quando também começou baixo, e chegou ao segundo turno”, avalia.

Antes de chegar à disputa oficial, contudo, Alckmin terá de convencer seu próprio partido a embarcar na campanha — as convenções partidárias devem ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto. Ele ainda não conseguiu se livrar da sombra de Doria, que segue frequentando as notas das colunas políticas como alternativa e divulgou mensagem nesta semana para dizer que seu candidato à presidência é Alckmin: "Aqueles que dizem o contrário só querem mal à candidatura do Geraldo e à minha". Rejeição

Apesar das negativas, o nome do ex-prefeito de São Paulo segue sendo incluído entre os presidenciáveis nas pesquisas Ipsos. O resultado, contudo, não parece animador o bastante para sugerir um troca. Enquanto Alckmin aparecia reprovado por 70% dos eleitores (e aprovado por 18%) em 18 de junho, Doria tinha 65% de rejeição (e 11% de aprovação). A única vantagem do ex-prefeito é que 24% dos eleitores ouvidos disseram não ter opinião sobre ele, um número maior de pessoas do que os 12% que não têm opinião sobre Alckmin. Além do mais, o mesmo indicador aponta rejeição alta para todos os outros nomes mais relevantes da pré-campanha presidencial — 65% reprovam a conduta do ex-governador Ciro Gomes (PDT), 64% desaprovam a atuação do deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) e 63% rejeitam a ex-ministra Marina Silva (Rede).

Quando questionado sobre sua baixa intenção de voto nesta semana, Alckmin chamou atenção para a distância entre os números das pesquisas e o resultado da eleição suplementar realizada em junho em Tocantins. "A uma semana da eleição, o primeiro lugar era o ex-prefeito de Palmas [Carlos Amastha]. O segundo lugar era uma senadora da República [Kátia Abreu]. Nenhum dos dois foi para o segundo turno. Isso é prova de sabedoria, o eleitor vai decidir lá na frente, hoje é tudo recall [das últimas eleições]", disse após evento na FGV, na terça-feira, em São Paulo. No esforço para se manter vivo na disputa, o ex-governador vem repetindo que tem entre cinco ou quatro acordos para coligação encaminhados (os partidos seriam garantidos PTB, PSD, PPS e PV), o que lhe garantiria ao menos 20% do tempo de propaganda de televisão.

Na disputa pelo Centrão, o tucano corre o risco de perder o apoio do PP para Ciro Gomes. Apoiar a campanha do pedetista também seria a melhor opção para parte do Democratas, que estaria dividido entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), e ACM Neto, mais inclinado a apoiar a candidatura de Alckmin. O PR nem sequer participou do encontro de quarta-feira passada e se aproxima cada vez mais da candidatura de Bolsonaro. A competição com o deputado por apoio e eleitorado vem tirando Alckmin de sua zona de conforto.

Sempre moderado em suas manifestações públicas, o ex-governador defendeu nas últimas semanas facilitar o porte de armas em regiões rurais e liberar armamentos para guardas municipais. O comedido tucano também chegou a desafiar Bolsonaro para um debate sobre segurança por meio de suas redes sociais. Seu equipe de campanha tem investido em memes para criticar a postura do adversário.

Recentemente, os assessores do ex-governador publicaram uma nota de esclarecimento em seu perfil no Facebook para negar "qualquer tipo de relação com a publicação, hospedagem ou manutenção do site motivosparavotarembolsonaro.org". Além de chamar atenção para o site, a nota sugeres buscas no Google de assuntos como "bolsonaro estupro" e "bolsonaro tortura".