Domingo, 10 de fevereiro de 2019

Análise: discurso de confiança, sozinho, não vai levar São Paulo adiante na Libertadores

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Pressionado, André Jardine precisa de respostas rápidas no São Paulo — Foto: Marcos Ribolli

Capitão do São Paulo e principal esperança do torcedor tricolor para uma virada na Copa Libertadores, Hernanes exerceu seu papel de líder, tentou minimizar a pressão e falou sobre a decisão contra o Talleres, quarta-feira que vem, no Morumbi:

– Quarta temos esquema definido. Não tem desespero.

Desespero não há, de fato. Mas a preocupação aumentou – e muito – depois do desempenho do São Paulo na derrota para a Ponte Preta, neste sábado, em Campinas, pelo Campeonato Paulista.

Afinal, como vencer o Talleres por três gols de diferença se o São Paulo não conseguiu acertar um chute sequer no gol da Ponte Preta? O técnico André Jardine observou alternativas para o jogo de quarta – insatisfeito com a derrota por 2 a 0 na Argentina – mas não viu qualquer motivo para se animar dentro de campo.

Fora Pablo (liberado para nascimento do filho Enrico) e Bruno Peres (poupado), o resto do time já foi montado pensando no Talleres. Sem Hudson, suspenso na Libertadores, e talvez sem Jucilei, que não jogou neste sábado por desconforto muscular, mas inicialmente não preocupa, Willian Farias e Hernanes podem repetir a dupla que fizeram contra a Ponte.

Jardine testou opções, mas não obteve as respostas esperadas:

 

  • Na direita, Araruna avançou pouco, errou passes e, nervoso, perdeu disputas individuais na defesa – ele é opção a Bruno Peres, que não foi bem na Argentina;
  • Mais recuado, Hernanes perdeu poder de criação, teve de ir mais ao combate, cometeu faltas e levou um cartão amarelo por reclamação;
  • Aberto pela direita, Antony tentou dribles, foi à linha de fundo, mas ficou muito isolado no setor – ainda assim, foi um dos melhores são-paulinos no jogo.
  • Um lance no fim do primeiro tempo resume a falta de ideias do São Paulo: escanteio muito aberto cobrado por Nenê, Reinaldo fica com a bola fora da área, na esquerda, tenta passe para Everton, mas manda pela linha de fundo. Frustração estampada no rosto dos jogadores.
  • Na segunda etapa, mudanças táticas (Hernanes mais avançado) e de peças (Igor Vinícius, Diego Souza e Biro Biro). Nada que fizesse o São Paulo levar perigo ao gol de Ivan, goleiro da Ponte, que foi mero espectador em campo no Moisés Lucarelli.

    Depois da partida, Jardine reconheceu a falta de intensidade e de criatividade. Falou em "melhor jogo do ano" na quarta-feira, com ambiente e torcida a favor no Morumbi. O estádio estará lotado, é fato, mas o discurso de confiança, sozinho, não vai carregar sozinho o São Paulo à próxima fase da Libertadores.

  • Por Diego Ribeiro — São Paulo