Domingo, 10 de fevereiro de 2019

Análise: em 65 minutos, Cueva mostra como pode ser útil ao Santos; mas ainda faltam reforços

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Cueva, centralizado e um pouco mais recuado do que nos tempos de São Paulo, tentando um toque para um dos atacantes — Foto: Ivan Storti / Santos FC

Foi surpreendente a primeira atuação de Cueva pelo Santos – não só pela vitalidade, já que vinha de pelo menos dois meses sem jogar, mas pela personalidade em assumir o papel de armador do time com apenas um treinamento (o de sexta-feira).

O peruano por pouco não fez seu gol diante do Mirassol . Foram 65 minutos em campo – ele saiu aos 20 do segundo tempo. Seria a cereja do bolo na sexta vitória em sete jogos oficiais de Jorge Sampaoli com o Santos.

O resultado de 1 a 0 sobre o Mirassol neste sábado, no Pacaembu, pela sexta rodada do Campeonato Paulista, acabou saindo no último lance com um gol de Jean Mota – o quinto dele no ano, artilheiro do Santos na temporada (clique aqui para ver as estatísticas do time em 2019). Placar justo. O Santos criou uma dúzia de chances claras. Sair em branco seria um pecado.

Por mais que seja um meio-campista de origem, e viva seu melhor momento com a camisa do Santos, Jean Mota não tem a capacidade de Cueva de centralizar jogadas, armar o time, prendendo e soltando a bola quando necessário. Em vários momentos, Jean Mota tem formado como um falso 9 – e de tanto ficar na área, tem feito tantos gols.

Cueva, portanto, não chega para roubar a vaga de Jean Mota. O peruano vai ter seu próprio lugar no time. Pelo que indicou Sampaoli, vai jogar um pouco mais recuado, sempre centralizado, e não aberto pelas pontas, como chegou a fazer no São Paulo e na seleção peruana.

– Cueva contribuiu com uma sequências de passes no campo rival, era algo que nos estava faltando. Seguramente, com o conhecimento do grupo, vai nos dar muito – disse Sampaoli.

Outro que tem lugar cativo nesse Santos é Derlis González. Poupado no primeiro tempo, assim como outros cinco titulares (Vanderlei, Victor Ferraz, Gustavo Henrique, Alison e Carlos Sánchez), o paraguaio entrou no lugar de Eduardo Sasha no início da etapa final e foi fundamental na vitória – a jogada do gol de Jean Mota foi toda dele. Carlos Sánchez também entrou bem.

Soteldo destoou. Não só pelo gol perdido de forma bizarra , mas pela insistência por segurar a bola, muitas vezes com uma firula desnecessária e irritante. Depois do gol desperdiçado, pareceu ter se abatido e errou tudo na sequência. Acabou tendo a pior nota da partida. Quem foi bem e quem foi mal

 

 

  • Matheus Ribeiro aproveitou a oportunidade e mostrou que será mesmo o reserva imediato de Victor Ferraz (titular absoluto e em grande fase);
  • Além de Soteldo, o volante Yuri também irritou a torcida com passes errados e/ou previsíveis. Eduardo Sasha, sem ritmo de jogo e entrosamento, foi outro que destoou do time.
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      E qual será o Santos titular de Sampaoli?

     

    Difícil dizer. Cueva é uma peça que Sampaoli não tinha, e o técnico já admitiu que espera um lateral-esquerdo e mais um centroavante. O volante Jean Lucas, o novo contratado por empréstimo do Flamengo, é muito bom, mas não chega com status de titular – vai ser importante, porém, num rodízio com Carlos Sánchez, Diego Pituca, Alison e até mesmo os meias mais avançados, como Cueva e Jean Mota.

      O importante é isso: Sampaoli vai ganhando diferentes opções para montar não uma, mas várias formações titulares.

     

    Até agora, o time se mostrou mais seguro numa formação com três zagueiros e dois atacantes de mobilidade, além de alas espetados como pontas (Victor Ferraz tem sido importantíssimo pela direita, mas o lugar na esquerda está vago). Assim sendo, dá para imaginar esta formação como a mais recorrente: O que vem por aí

     

    Com a classificação muito bem encaminhada no Paulistão, o Santos se volta para a Copa Sul-Americana. A estreia será nesta terça-feira, contra o River Plate do Uruguai, em Montevidéu.

    Sampaoli não terá Cueva, que não foi inscrito e ainda tem dois jogos a cumprir de suspensão em competições da Conmebol (foi expulso em seu último jogo internacional pelo São Paulo).

    Com a lesão de Luiz Felipe aos 5 minutos do jogo contra o Mirassol, é de se imaginar que Felipe Aguilar e Gustavo Henrique formarão a dupla de zaga, com Alison como cabeça de área, recuando para a zaga em vários momentos, principalmente na saída de bola.

    Victor Ferraz e Copete devem ser os alas – o colombiano não jogou contra o Mirassol por conta do limite de estrangeiros (cinco), mas, como Cueva não está apto a jogar, nada impede Sampaoli de escalá-lo.

    Soteldo, apesar da atuação ruim contra o Mirassol, deve ser mantido no time, formando um ataque de mobilidade com Jean Mota e Derlis González. O time provável na terça-feira, portanto, deve ser este:

    Por Juliano Costa — São Paulo