Domingo, 10 de fevereiro de 2019

O alerta de Max Mosley em relação às montadoras na Fórmula 1 que se revelou profético

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Foto;Pascal Le Segretain/Getty Images
Max Mosley sempre foi um personagem controvertido. Seja como chefe da equipe March nos anos 1970, ou depois como presidente da Federação Internacional de Automobilismo. Seja com um estilo draconiano de comandar seu time - Alex Dias Ribeiro que o diga - seja em medidas impopulares, ou até mesmo pelo comportamento fora dos gabinetes, com direito a orgia sadomasoquista de temática nazista.

Mas há exatos 16 anos, no dia 10 de fevereiro de 2003, Mosley deu uma declaração que, se num primeiro momento, pareceu oportunista e política, tempos depois se revelaria absolutamente profética. Aliás, a questão levantada por ele até hoje gera discussões e, no caso do Liberty Media, grupo que passou a controlar a F1 em 2017, muito esforço nos bastidores. Senão, vejamos:

- A Fórmula 1 não pode confiar apenas nas equipes dos fabricantes e precisa se tornar mais acessível para os independentes. Montadoras como BMW, Ford, Honda, Mercedes e Renault têm um histórico comprovado de se afastar do esporte, e equipes realmente independentes como Williams e Jordan precisam ser ajudadas.

Na época, a categoria vivia o auge da invasão das montadoras. Em 2003, Renault, Toyota e Ford (Jaguar) tinham equipes próprias. Já BMW, Mercedes e Honda tinham parcerias fortíssimas estabelecidas com Williams, McLaren e BAR - em 2006, BMW e Honda teriam equipes próprias também. Dos dez times do grid, independentes mesmo só havia Jordan, Sauber e Minardi. A Ferrari, claro, é um caso à parte.

A primeira a pular fora da F1 foi a Ford, no fim de 2004. Depois da crise mundial de 2008, a Honda também deixou a categoria, no que foi acompanhada por BMW e Toyota logo no ano seguinte. A Renault chegou a suspender as operações de sua equipe em 2010, para voltar em 2016 - neste ínterim, manteve o fornecimento de motores.

Destas, a única montadora que ampliou suas atividades foi a Mercedes, que na temporada de 2010 voltou a ter equipe própria e domina a Fórmula 1 desde 2014. Já a Honda voltou como fornecedora em 2015 e só agora parece dar sinais de competitividade.

Como se vê, a história mostra que não se pode ter absoluta convicção de que as montadoras serão o sustentáculo da Fórmula 1. Por serem fabricantes de carros, precisam manter seus balanços financeiros no azul, e, convenhamos, as corridas são muito dispendiosas. Eu se fosse executivo evidentemente não hesitaria em cortar gastos para preservar a empresa pela qual trabalho. Matemática pura e simples.

Por isso, apesar de evidente a importância histórica desses fabricantes, ainda chegará o dia em que alguém saberá encontrar um equilíbrio que valorize as montadoras mas não fique a mercê delas.

Max Mosley nunca foi nenhum santo, mas há 16 anos bem que ele tinha razão...

Por GloboEsporte.com — Rio de Janeiro