Domingo, 10 de fevereiro de 2019

Sobrevivente detalha divisão de quartos no alojamento que pegou fogo no CT do Flamengo

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Em depoimento, testemunha disse que fogo começou no quarto 6 (o da extrema direita na imagem) — Foto: Reprodução/TV Globo

Em depoimento à polícia nesta sexta-feira (8), um atleta do Flamengo que sobreviveu ao incêndio no Ninho do Urubu contou como era a divisão dos quartos e quem ocupava cada um deles no alojamento. Segundo ele, o fogo começou no ar-condicionado do quarto 6.

Dos dez mortos, cinco estavam no quarto 1, o mais distante de onde ficava o ar-condicionado que teria dado início ao incêndio e onde, com base na perícia e nos depoimentos, os peritos também acreditam que tenha começado o incêndio.

Outros atletas contaram que, ao perceber o calor e fumaça no ambiente, quebraram janelas do alojamento para tentar salvar amigos. Um deles disse que os colegas pareciam desmaiados.

A TV Globo e o G1 tiveram acesso a quatro depoimentos prestados durante a tarde de sexta na 42ª DP, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio. Segundo a polícia, 13 atletas prestaram depoimento. Como eles são menores de idade, o nome deles não pode ser revelado.

Dez jogadores da base do Flamengo, com idades entre 14 e 16 anos, morreram na tragédia, e outros três estão internados, um deles em estado grave com 30% do corpo queimado.

Segundo o sobrevivente, a divisão dos quartos estava assim:

 

  • No Quarto 1 dormiam cinco dos dez mortos: Gedson Santos, de 14 anos, Bernardo Pisetta, 14, Arthur Vinicius, 14, Pablo Henrique da Silva Matos, 14, e Vitor Isaías, de 15 anos.
  • No Quarto 2 dormiam outros três jogadores que morreram: Christian Esmério, Jorge Eduardo Santos e Samuel Thomas Rosa, todos de 15 anos.
  • No Quarto 3 dormiam quatro jogadores, e três deles conseguiram fugir a tempo: Cauan Emanuel, de 14 anos, Jonathan Ventura, 15, e Francisco Dyogo 15 anos. Já Athila Paixão, de 14 anos, morreu.
  • No relato, não houve confirmação sobre onde dormia Rykelmo de Souza Vianna, de 16 anos.
  • Segundo a polícia, novos depoimentos devem ocorrer a partir da próxima segunda-feira (11). A diretoria do Flamengo vai ser chamada para depor, além dos três jogadores que ficaram feridos e estão internados até a tarde deste sábado.

    Enquanto os investigadores fazem o trabalho criminal, a Prefeitura do Rio afirma que o Flamengo não tinha autorização para construir dormitórios no Ninho do Urubu. Disse ainda que, no último laudo aprovado pelo município, o clube informou que a área onde estavam os contêineres funcionaria como estacionamento.

    Ainda segundo a Prefeitura, o Ninho do Urubu não tinha alvará de funcionamento porque não apresentou certificado de aprovação dos bombeiros. Por estar funcionando sem o alvará, o governo municipal informou que o clube recebeu 31 autos de infração, e dez multas foram pagas.

    O Corpo de Bombeiros disse que o Flamengo deu entrada no projeto de segurança contra incêndio em 2010, e que, desde então, tem feito vistorias no local. A última ocorreu em novembro do ano passado, mas, segundo a corporação, ainda havia pendências para a emissão do certificado, como mudanças de layout e ausência de dispositivos.

    A Prefeitura destacou, também, que emitiu uma ordem para interditar o CT em 20 de outubro de 2017, mas ressalvou que o município não tem poder de polícia para interditar por conta própria um local privado.

  • Por Leslie Leitão, Marco Antônio Martins, Márcia Brasil e Pedro Figueiredo, TV Globo e G1 Rio

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