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Segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Insetos estão desaparecendo, com efeitos catastróficos

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Mais de 40% das espécies de insetos em todo o mundo poderão estar extintas nas próximas décadas, e outro terço delas estão ameaçadas, revelou a primeira análise científica global sobre o tema. Segundo os autores, a taxa de extinção é oito vezes mais rápida do que as de mamíferos, répteis e aves, ameaçando um colapso dos ecossistemas da Terra.

A massa total de insetos é reduzida em 2,5% a cada ano, o que indica que eles poderão desaparecer em um século. Segundo o estudo, publicado no final de janeiro pelo jornal científico Biological Conservation, o planeta atravessa a sexta extinção em massa em sua história, com algumas perdas significativas registradas em algumas espécies de animais de grande porte, cujo desaparecimento é mais fácil de se observar. Os insetos, porém, existem em variedade e quantidade bem maior, chegando a um número 17 vezes superior ao de humanos.

"Se as perdas de espécies de insetos não forem interrompidas, haverá consequências catastróficas para os ecossistemas do planeta e para a sobrevivência da humanidade", disse ao jornal The Guardian o pesquisador da Universidade de Sidney Francisco Sánchez-Bayo, que elaborou o estudo com seu colega da Academia Chinesa de Ciências Agrárias Kris Wyckhuys.

"Em dez anos teremos um quarto a menos [de espécies de insetos], em 50 anos, apenas a metade, e em 100 anos não teremos nenhuma", alerta Sánchez-Bayo. Os insetos são fundamentais para o funcionamento adequado de todos os ecossistemas, atuando como polinizadores e recicladores de nutrientes e servindo de alimento para outros animais.

O colapso de algumas espécies já foi registrado em países como a Alemanha e em Porto Rico. Segundo um estudo, neste país houve uma redução de 98% dos insetos terrestres. Os indícios apontam para uma crise global. "As tendências confirmam que a sexta maior ocorrência de uma extinção em massa gera impacto profundo nas formas de vida no nosso planeta", afirmam os autores.

O estudo afirma que a maior causa do desaparecimento das espécies de insetos é a agricultura intensiva, em especial o uso de pesticidas. Novos tipos de inseticidas introduzidos nos últimos 20 anos, incluindo neonicotinoides e fipronil, causam danos significativos ao serem utilizados repetidamente, permanecendo no meio ambiente. Na Alemanha, um estudo mostrou que as populações de insetos voadores em reservas de proteção natural recuaram 75% ao longo de 25 anos.

Sánchez-Bayo afirmou que a produção de alimentos em escala industrial deve ser revista, destacando que as fazendas orgânicas têm mais insetos e também que o uso ocasional de pesticidas no passado não causava o declínio observado nas últimas décadas. Outros fatores que contribuem para o quadro atual são a urbanização, as espécies introduzidas e as mudanças climáticas.

Sánchez-Bayo diz que a redução das espécies de insetos começou no início do século 20 e se acelerou nos anos 1950 e 1960, atingindo proporções alarmantes nas duas últimas décadas. O fenômeno tem impacto em muitas espécies de aves, répteis, anfíbios e peixes que se alimentam desses animais. "Se sua fonte de alimento desaparecer, eles morrerão de fome", diz o pesquisador.

A análise global selecionou os 73 estudos mais completos realizados nos últimos 30 anos para avaliar a redução dos insetos. A maioria dos levantamentos foi realizada em países no oeste da Europa e nos Estados Unidos, além de Brasil, Austrália, China e África do Sul. Há poucos estudos sobre a redução das espécies de insetos em outras regiões.