Domingo, 16 de junho de 2019

Motorista de aplicativo morre atingido por bloco de concreto, arremessado do alto de passarela no Maracanã

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Caso aconteceu na madrugada deste domingo. Delegacia de Homicídios apura o caso; bloco de concreto foi atirado do alto da passarela Foto: Reprodução
RIO — Era madrugada de domingo. O motorista de aplicativo Fernando de Souza Gomes, de 49 anos, como de costume, virava a noite levando mais uma passageira para casa. Ao passar por baixo da passarela que liga o estádio do Maracanã às estações de trem e metrô, na Avenida Presidente Castelo Branco, no entanto, a rotineira viagem foi tragicamente interrompida. Um homem, ainda não identificado, atirou, do alto da passagem, um bloco de concreto, que fazia parte da estrutura da construção. O objeto destruíu o vidro dianteiro do carro de Fernando e o atingiu em cheio no peito. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu, e deixa, além de suas duas filhas, os pais, com quem morava e dedicava-se a cuidar: o pai sofre de Alzheimer.  Um taxista que estava vindo atrás dele viu tudo e nos contou. Após o impacto, o pé dele prendeu no acelerador, e a passageira precisou pular para o banco da frente. Ela assumiu o volante e conseguiu puxar o freio de mão, fazendo o carro parar próximo a um posto de gasolina ali perto — conta Simone de Souza Gomes, irmã da vítima.

Ela fala sobre o desespero que sentiu ao atender uma chamada do celular do irmão de madrugada. Uma ligação que só foi possível porque o celular de Fernando estava desbloqueado: no momento em que foi atingido pelo bloco, o aplicativo estava aberto, registrando a corrida.

— O taxista parou, pegou o telefone dele, que estava desbloqueado, ainda com o aplicativo aberto, e conseguiu me ligar. Eu entrei em desespero. Quando o bombeiro chegou, ele teve duas paradas cardíacas no local, e mais uma quando chegava no Hospital Salgado Filho. Na quarta, ele não resistiu. O que os médicos me passaram, é que a cartilagem toráxica foi esmagada. A família está péssima. Eu só espero que peguem os culpados, porque ceifaram a vida de uma pessoa que estava trabalhando, ele não estava “de sacanagem” na rua naquele momento — desabafou Simone.

A Delegacia de Homicídios investiga o caso e já sabe que de fato o material de concreto foi atirado por alguém. A especializada agora busca ouvir testemunhas e imagens de câmeras de segurança da região que ajudem a polícia a chegar ao autor, ou os autores, do crime.

O caso aconteceu bem em frente ao estádio do Maracanã, que, mais tarde, também ontem, recebeu sua primeira partida válida pela Copa América, e que contou um grande reforço policial, com homens dos bombeiros, policias Militar, Civil e Federal, Guarda Municipal, entre outras frentes.

Arthur Leal/Oglobo