Domingo, 23 de junho de 2019

Com Mel C, Iza e Gloria Groove, Parada do Orgulho LGBT reúne 3 milhões na Av. Paulista, segundo organizadores

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Mel C abre a bandeira do movimento LGBT durante a Parada — Foto: Celso Tavares/G1

A Parada do Orgulho LGBT de São Paulo reuniu 3 milhões de pessoas na Avenida Paulista, segundo os organizadores. Ao todo, 19 trios elétricos desfilaram por cerca de sete horas de apresentações. A Polícia Militar não divulgou estimativa de público.

Melanie Jayne Chisholm, conhecida como Melanie C ou Mel C, subiu em um dos 19 trios elétricos da Parada LGBT de São Paulo por volta das 14h40 deste domingo (23) e encantou o público que lotava a Avenida Paulista. "Estou muito feliz de estar de volta a São Paulo, um lugar que sempre foi generoso comigo", disse Mel C.

A integrante do grupo Spice Girls, sucesso nos anos 90, é a principal atração internacional do evento. O público foi ao delírio quando cantou um trecho de "Wannabe", um dos clássico das Spice Girls.

O trajeto, no Centro da cidade de São Paulo, começava na Avenida Paulista passava pela Rua da Consolação e termina no Vale do Anhangabaú.

Durante a abertura do evento, o público gritou frases contra o presidente Jair Bolsonaro (PSL).

A concentração começou às 10h em frente ao Museu de Arte de São Paulo (MASP).

Uma das apresentações mais esperadas do evento, Karol Conka e Mateus Carillo, abriram o show do trio “Alucinante” com a música “Dá1Like” às 16h.

Às 16h30, os trios começaram a descer a Rua da Consolação em direção à Praça Roosevelt.

Thammy Miranda também participa do evento e é crítico. "Tem essa representatividade de relembrar os 50 anos de Stonewall, mas acaba mesmo virando uma festa. Eu gostaria que a parada fosse mais uma parada mesmo, com representantes dos órgãos públicos, da polícia, do povo, não só uma festa. As pessoas ainda não sabem o que é trans. É um passinho de cada vez e a gente ainda está bem para trás".

A madrinha da parada LGBT deste ano é Fernanda Lima. "É uma luta que não tem fim, é uma luta por respeito e dignidade", afirmou em entrevista à GloboNews.

A apresentadora oficial do evento é a Drag Queen Tchaka. O tema deste ano é “50 anos de Stonewall”, um conflito que aconteceu em 1969 em um bar nos Estados Unidos e foi um marco para o ativismo pelos direitos da comunidade LGBT.

A atriz Glamour Garcia também compareceu ao evento e falou ao G1 sobre sua participação na novela "Dona do Pedaço". "Está sendo incrível participar da novela. Confesso que minha expectativa eram bem menor do que toda repercussão que está tendo, todo acolhimento e carinho do público com a Britney. Acho que é uma personagem maravilhosa que tem muito a acrescentar não só no sentido didático, mas também porque a historia dela é muito legal."

A drag Karol Castro e a trans Vitória Lobato irão agitar o primeiro carro do evento, o trio Avatar. Karol conta que a produção durou horas e que a parada é um marco. “Estou feliz de estar na maior parada do mundo. É uma honra poder subir no trio para agitar”, disse em entrevista ao G1.

T. Angel, de 37 anos, frequenta a parada desde o começo. Este é o terceiro ano que sairá no "Bloco dxs Freaks", que reúne pessoas LGBT com modificações corporais, como piercing, escarificação e tatuagens. "Com o cenário político cada vez mais conservador, esse ano é ainda mais importante sair na Parada para nos fortalecer. Queremos preservar o direito de usar nosso corpo como quisermos".

Essa é a primeira vez que a drag The-Mystique, de 20 anos, se monta para a Parada. Sua personagem é inspirada em figuras fortes femininas, como Frida Kahlo. Ela veio acompanhada da drag Miss Paper, de 24 anos, que só usa papel na montagem de seus figurinos.

O coletivo periférico LGBT “família stronger”, que luta contra a LGBTfobia, chegou cedo para garantir o lugar e curtir a apresentação de Glória Groove, uma das principais do evento.

Juliana Silva, de 34 anos, veio com as filhas Rubia, de 6 anos, e Kiara, de 3 anos. "É importante mostrar desde cedo que o amor é normal. Essa é uma festa de cultura. Depois quando as duas forem adultas, elas poderão seguir o caminho que quiserem", afirma.

Por Marina Pinhoni e Gessyca Rocha, G1 SP