Segunda-feira, 17 de junho de 2019

Dormir demais também pode fazer mal à saúde, sugere estudo

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Provavelmente você já ouviu falar que dormir pouco é prejudicial à saúde. Um estudo divulgado em maio deste ano, no entanto, chama a atenção sobre os perigos de dormir demais.

A pesquisa britânica, publicada no International Journal of Epidemiology, relaciona a duração do sono à capacidade cognitiva e à demência. Os responsáveis pelo estudo concluíram que noites mal dormidas podem resultar em piora da memória e do raciocínio.

“Esses achados sugerem que a duração do sono pode representar uma via causal potencial para a cognição”, demonstram os pesquisadores. “Tanto a curta quanto a longa duração do sono foram associadas a resultados cognitivos mais fracos.”

Geraldo Lorenzi Filho, diretor do Laboratório do Sono do Incor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP), chama a atenção, especialmente, à curta duração do sono. “Quem dorme pouco — menos de seis horas por noite — pode desenvolver problemas de saúde, inclusive cardíacos”, alerta o médico.

Ele explica que o contrário ainda não está bem esclarecido — ou seja, quais os efeitos de horas excessivas de sono ao organismo. “Quem dorme demais pode apresentar algum outro problema de saúde, como apneia”, diz Lorenzi. “É o que chamamos de associação de fatores.”

Segundo o especialista, uma das hipóteses é que o indivíduo que dorme muito tenha alguma complicação anterior. “Mas esses estudos ainda não são muito claros por não fazerem um controle total da população estudada”. Isso significa que algumas pesquisas não conseguem rastrear todo o histórico de saúde da amostra (grupo que participa do estudo). “Eles podem estar deprimidos, desempregados… os motivos não são claros”, afirma o diretor. Cansaço acumulado

Horas de sono a mais no fim de semana, por exemplo, podem significar que você tem dormido pouco durante a semana e sente necessidade de ficar mais tempo na cama quando tem a chance de cancelar ou adiar o despertador.

“A recomendação é: tome cuidado com seu sono porque estamos dormindo muito mal e muito pouco”, aconselha Lorenzi. “Agora, se você dorme muito e continua sonolento, a recomendação é procurar um médico, pois pode haver um problema clínico ou comprometimento da qualidade de sono.”

O professor e consultor Octávio Bariotto, 25, sabe muito bem como uma noite mal dormida atrapalha as atividades. Ele descreve sua rotina de sono como “horrível”. Durante a semana, costuma ir dormir entre 1h e 1h30 e acorda entre 7h e 7h30. Já aos fins de semana, aproveita para ficar de três a quatro horas a mais na cama.

“O dia é perdido”, diz o professor. “Conforme o tempo passa e a idade chega, tenho me tornado menos noturno e mais diurno. Não me sinto bem seguindo atualmente dessa maneira.”

Essa insatisfação não é exclusividade de Bariotto. Cada vez mais a população apresenta distúrbios relacionados ao sono devido ao ritmo imposto pela sociedade atual. É preciso, porém, parar um pouco e observar o próprio corpo e as atividades diárias. Apenas assim será possível criar uma rotina de descanso personalizada para satisfazer o organismo e tornar a vida muito mais feliz, saudável e produtiva.